A vacina tríplice viral é
preparada a partir de vírus vivos atenuados do sarampo (cepas Schwarz, Moraten
e Edmonston Zagreb), da caxumba (cepas Jeryl Lynn, L-3 Zagreb e Urabe AM9) e da
rubéola (cepa Wistar RA27/3). Existem três combinações vacinais de
diferentes cepas de sarampo e caxumba com o vírus da rubéola. Esta vacina é
indicada no Brasil para crianças a partir dos 12 meses de idade, idealmente
aplicada aos 15 meses, devendo receber uma dose única de 0,5 ml pela via
subcutânea na região do deltóide. Os profissionais da saúde podem receber
uma dose única desta vacina com o objetivo de prevenir as três doenças. Todos
os três componentes desta vacina são altamente imunogênicos e eficazes, dando
imunidade duradoura por praticamente toda a vida. A proteção inicia-se cerca
de duas semanas após a vacinação e a soroconversão é em torno de 95%.
As vacinas com vírus vivos
atenuados não devem ser aplicadas em crianças com deficiência adquirida ou
congênita, exceto os pacientes HIV positivos que poderão ser vacinados. As
mulheres vacinadas deverão evitar a gravidez durante três meses, embora as
gestantes quando vacinadas não deverão considerar a interrupção da gravidez.
As crianças com neoplasias malígnas e sob efeito de corticosteróides,
imunossupressores e/ou radioterapia só devem ser vacinadas após três meses da
suspensão da terapêutica. Está contra-indicada a vacina para os indivíduos
alérgicos ao ovo de galinha, à neomicina e à kanamicina.
Deve-se adiar a vacinação
quando o paciente apresentar doença febril aguda grave, quando estiver sob uso
de corticosteróides, imunossupressores e/ou radioterapia (adia-se a vacinação
por três meses). A vacina só deve ser aplicada duas semanas antes ou cerca de
três meses após o uso de derivados do sangue (plasma, imunoglobulinas, sangue
total).
Entre as manifestações locais
da vacina salienta-se ardência no local da injeção, eritema, hiperestesia,
enduração, linfadenopatia regional. O tratamento deve ser feito com
analgésicos e compressas frias ou quentes. Não há contra-indicação de se
aplicar as doses subseqüentes da vacina.
Entre as manifestações
sistêmicas gerais observam-se de 0,5 a 4% de aumento de temperatura corporal,
irritabilidade, conjuntivite e sintomas catarrais (5 a 12 dias após). Cinco a
12% desenvolvem febre acima de 39,5º C. Neste caso pode ocorrer convulsões. O
exantema está presente em cerca de 5% dos casos (7 a 10 dias após) e a
linfadenopatia em menos de 1% e aparece entre 7 e 21 dias após a aplicação. O
tratamento deve ser feito com analgésicos e compressas frias ou quentes. Não
há contra-indicação de doses subseqüentes da vacina.
Entre as manifestações
relativas ao sistema nervoso central salienta-se a meningite, a encefalite e a
pan-encefalite esclerosante subaguda. A meningite em geral é causada pelo
vírus da caxumba em geral da cepa Urabe AM9. A encefalite pode ser causada
tanto pelo vírus da caxumba, quanto pelo do sarampo. A pan-encefalite
esclerosante subaguda está relacionada com o vírus selvagem do sarampo, embora
a vacina não esteja totalmente isenta deste efeito colateral. Outras
manifestações nervosas tais como ataxia cerebelar, mielite transversa,
meningite asséptica, síndrome de Reye, síndrome de Guillain-Barré, surdez e
retinopatia raramente têm sido relatadas. A avaliação clínica por
especialista (neurologista, pediatra ou infectologista) deve sempre ser
indicada. Nestes casos há contra-indicação de doses subseqüentes da vacina.
Além disso, tem sido relatado
púrpura trombocitopênica (causada pela cepa do vírus do sarampo), orquite,
parotidite e pancreatite (vírus da caxumba – em geral cepa Urabe). As
reações articulares tais como artrite e artralgias são causadas pela cepa
viral da rubéola (Wistar RA27/3).
Apesar dos eventos adversos
relatados, trata-se de uma vacina bastante segura e deve ser preconizada para
todas as crianças a partir dos 12 meses de idade.