As principais vacinas
anti-rábicas de uso humano são: vacina Fuenzalida & Palácios modificada,
vacina produzida em cultura de células diplóides humanas (human diploid
cell vaccine – HDCV), vacina purificada produzida em culturas de células
Vero (purified Vero cell vaccine – PVCV), vacina purificada produzida
em cultura de células de embrião de galinha (purified chick-embryo cell
vaccine – PCEV), vacina purificada produzida em embrião de pato (purified
duck embryo vaccine – PDEV), além de outras. Todas as vacinas contra a
raiva, de uso humano, são inativadas, ou seja não apresentam vírus vivos. A
seguir descreveremos as principais vacinas de uso humano.
Vacina produzida em cérebro de
camundongos do tipo Fuenzalida & Palácios modificada
A vacina anti-rábica utilizada
de rotina no Brasil é a vacina Fuenzalida & Palácios modificada. É
produzida em cérebro de camundongos recém-nascidos, inoculados com a cepa
Pasteur de vírus fixo. Posteriormente os vírus são inativados pela
betapropiolactona, de acordo com a técnica de Fuenzalida & Palácios. Tem
alto poder antigênico e baixa concentração de substância nervosa (cerca de
2%), ficando assim bastante reduzidas as reações neurológicas pós-vacinais.
A aplicação pode ser feita pelas vias subcutânea ou intramuscular, na região
do deltóide. Em crianças menores de dois anos, pode ser administrada na
região do músculo vasto lateral da coxa. A região glútea não deve ser
utilizada, pois pode ocorrer falha no tratamento. A dose é de 1 ml,
independentemente da idade, sexo ou peso do paciente. A conservação da vacina
deve ser feita entre +2 e +8ºC.
Os acidentes pós-vacinais
caracterizam-se por reações locais do tipo dor, hiperemia e prurido no local
da injeção. Não se deve interromper o tratamento uma vez que estas
alterações regridem com o uso de anti-histamínicos comuns.
As reações neurológicas são
raras, porém as mais freqüentes são mielites, meningites, meningoencefalite,
radiculites, encefalites e a polirradiculoneuropatia desmielinizante
inflamatória aguda ou síndrome de Guillain-Barré. Estas complicações são
relativamente freqüentes quando se utiliza a vacina preparada de acordo com a
técnica de Fuenzalida & Palácios. A terapêutica destes acidentes deve ser
sintomática e o emprego de corticosteróides (quando utilizados) deve ser feita
com cautela, uma vez que o bloqueio sobre o sistema reticuloendotelial poderá
facilitar a instalação da raiva.
A incidência de
manifestações neurológicas associadas à vacina, citadas na literatura, é de
um caso para cada 8.000 tratamentos. No Estado de São Paulo, em 1997, foram
realizados aproximadamente 65.000 tratamentos e foram notificados 17 casos
suspeitos de manifestações neurológicas, associados ao uso da vacina
Fuenzalida & Palácios. Oito deles foram confirmados como Síndrome de
Guillain-Barré, sendo que um deles evoluiu para o óbito. Em 1998, para um
número semelhante de tratamentos, novamente houve um caso que evoluiu para o
óbito. A substituição da vacina por outra produzida em cultivo celular ou em
embrião de pato somente é necessária quando ocorrerem manifestações
intensas ou quando os sintomas se intensificarem com as doses subseqüentes.
Entre as vacinas produzidas em cultura celular e em embrião de pato
podemos citar:
Vacina produzida em cultura de
células displóides humanas (human
diploid
cell vaccine
– HDCV)
Desde a década de 1950, são
pesquisados outros substratos para a replicação viral, visando à redução
dos eventos adversos, principalmente os neurológicos. Na década de 1960, o
Wistar Institute, na Filadélfia, desenvolveu a primeira vacina em cultura de
células diplóides humanas, liberada para uso em 1976. A vacina é produzida
com a cepa Pitman-Moore e os vírus são inativados pela betapropiolactona. A
potência mínima requerida, 2,5 UI por dose, é maior que a da Fuenzalida &
Palácios modificada (1,0 UI por dose), devido à maior concentração viral,
obtida por ultracentrifugação. Cada dose contém, também, 5% de albumina
humana, fenolsulfonftaleína e sulfato de neomicina (< 150 µg). A
apresentação é na forma liofilizada e a reconstituição é feita com água
estéril.
A vacina é bem tolerada. As
manifestações adversas relatadas com maior freqüência são reação local,
febre, mal estar, náuseas e cefaléia. Não há relato de óbitos associados ao
seu uso.
A incidência de reações
neurológicas temporalmente associadas a esta vacina, de acordo com a literatura
científica, é baixa. Nos EUA, a taxa encontrada é de 1 para cada 150.000
pacientes tratados.
De acordo com a Organização
Mundial de Saúde (OMS), até junho de 1990 haviam sido relatados seis casos de
reações neurológicas temporalmente associadas à vacina. Em cinco foram
registrados quadros de fraqueza ou parestesia, sendo que em um dos pacientes
ocorreu déficit muscular permanente do músculo deltóide. O sexto paciente
apresentou quadro neurológico semelhante ao de esclerose múltipla. A
incidência de manifestações neurológicas, considerando-se todos estes casos
como realmente provocados pela vacina, é de cerca de 1 para cada 500.000
pacientes tratados.
A incidência de reações
alérgicas nos EUA, entre 1980 e 1984, foi de 11 casos para 10.000 pacientes
tratados. As reações variaram de urticária a anafilaxia e ocorreram
principalmente após doses de reforço; nove casos foram de hipersensibilidade
do tipo I (1:10.000), 87 de hipersensibilidade retardada do tipo III (9:10.000)
e 12 de reação alérgica indeterminada (1:10.000). A maioria dos pacientes
não necessitou internação hospitalar. O fator limitante para o uso desta
vacina, em larga escala, é o preço. Por isso, novos substratos foram
empregados nas décadas seguintes, visando a produção de vacinas com menor
custo e com a mesma segurança e eficácia da HDCV.
Vacina purificada produzida em
cultura de células Vero (purified Vero cell vaccine – PVCV)
Substrato desenvolvido a partir
do rim de macacos verdes Africanos, inicialmente utilizado para a produção de
vacinas contra a poliomielite. A vacina é semelhante à HDCV; é produzida com
a cepa Pitman-Moore, inativada por betapropiolactona e concentrada por
ultracentrifugação. A potência mínima requerida também é 2,5 UI por dose.
A resposta a esta vacina e a incidência de reações adversas são semelhantes
às da HDCV.
Vacina purificada produzida em
cultura de células de embrião de galinha (purified chich-embryo cell
vaccine - PCEV)
É preparada com a cepa Flury
LEP-C25 e desenvolvida em fibroblastos de embrião de galinha. A eficácia e a
segurança são semelhantes às da HDCV. Os vírus são concentrados por
ultracentrifugação, inativados por betapropiolactona e a potência mínima
requerida é 2,5 UI por dose. A vacina contém albumina humana e traços de
neomicina, clortetraciclina e anfotericina B.
Vacina purificada produzida em
embrião de pato (purified duck-embryo vaccine – PDEV)
É produzida com a cepa
Pitman-Moore, inativada pela betapropiolactona e concentrada por
ultracentrifugação. O vírus é cultivado em ovos embrionados e não em
cultura celular. É produzida na Suíça; a potência mínima requerida é 2,5
UI por dose; causa maior incidência de eventos adversos, embora moderados,
quando comparada com a HDCV.
No Brasil, vacinas produzidas
em cultura celular ou em embrião de pato estão disponíveis na rede pública
de saúde, em Centros de Imunobiológicos Especiais, para pacientes
imunodeprimidos e para os que apresentam eventos adversos graves à vacina
Fuenzalida & Palácios modificada.
Conservação, dose e via de
administração das vacinas produzidas em cultura celular e em embrião de pato
Conservação: Devem ser
conservadas permanentemente sob refrigeração, entre +2ºC e +8ºC.
Doses e vias de
administração: A dose destas vacinas depende do laboratório produtor. Em
geral, a dose indicada para esquema de pré ou pós-exposição, para uso
pela via intramuscular, é 0,5 ml (PVCV) ou 1,0 ml (HDCV, PCEV, PDEV).
Quando utilizadas em esquema de
pré-exposição, as vacinas HDCV, PVCV e PCEV (mas não a PDEV) também podem
ser administradas pela via intradérmica na dose de 0,1 ml. Esta opção foi
testada porque representa uma economia considerável, tendo sido aprovada pelo
Comitê de Peritos em Raiva da OMS.
O frasco aberto deve ser
utilizado no máximo em 8 horas. As doses não utilizadas nesse período devem
ser desprezadas, por isso é aconselhável o agendamento das pessoas que devem
receber o esquema pré-exposição pela via intradérmica.
Alguns países também testaram
e aprovaram o uso da via intradérmica para tratamentos pós-exposição.
Porém, até o momento, não existe consenso sobre este assunto. O Comitê de
Peritos em Raiva da OMS não recomenda o uso generalizado de esquemas que
utilizam a via intradérmica para o tratamento pós-exposição por considerar
que ainda são necessários novos estudos para definir este ponto.
ESQUEMAS DE
TRATAMENTO PROFILÁTICO DA RAIVA HUMANA
Tratamento profilático
pré-exposição:
O tratamento profilático
pré-exposição, realizado com vacinas, é indicado para grupos de alto risco
de exposição ao vírus da raiva, dentre os quais ressaltamos: veterinários,
vacinadores, laçadores e treinadores de cães; profissionais de laboratório
que trabalham com o vírus da raiva; professores e alunos que trabalham com
animais potencialmente infectados com o vírus da raiva; espeleólogos;
tratadores de animais domésticos de interesse econômico (eqüídeos,
bovídeos, caprinos, ovinos e suínos) potencialmente infectados com o vírus da
raiva.
Esquema com a vacina Fuenzalida
& Palácios modificada
Esquema com 4 doses
-
aplicar nos dias 0, 2, 4 e 28
-
via de administração:
intramuscular, na região deltóide
-
dose: 1 ml, independente da
idade, sexo e do peso do paciente
Esquema com vacinas produzidas
em cultura celular ou em embrião de pato
a) Esquema com 3 doses pela via
intramuscular (IM)
-
aplicar nos dias 0, 7 e 28
-
via de administração:
intramuscular, na região deltóide.
-
dose: 0,5 ou 1 ml,
dependendo do fabricante. A dose indicada pelo fabricante independe da
idade e do peso do paciente
b) Esquema com 3 doses pela via
intradérmica (ID), para as vacinas HDCV, PVCV e PCEV (mas não para a PDEV)
-
aplicar nos dias 0, 7 e 28
-
via de administração:
intradérmica, na região deltóide
-
dose: 0,1 ml, independente do
fabricante
Como já foi referido, este
esquema com dose menor, aplicada pela via ID, foi pesquisado devido ao alto custo
do produto. Atualmente, é reconhecido e indicado pela OMS. A vacina purificada
de embrião de pato, embora tenha potência semelhante à das vacinas produzidas
em cultura celular, não é indicada pela via ID devido à falta de testes
conclusivos.
Pacientes que usam cloroquina
para a profilaxia da malária apresentam títulos menores de anticorpos da raiva
após a vacinação, por isso, o tratamento profilático com doses menores, pela
via ID, é contra-indicado para estes pacientes imunodeprimidos em geral.
Avaliação sorológica para
monitoramento do esquema de vacinação pré-exposição
A avaliação sorológica é
obrigatória para todas as pessoas submetidas ao tratamento profilático
pré-exposição. Deve ser realizada a partir do 10º dia da administração da
última dose da vacina. Somente títulos iguais ou acima de 0,5 UI/ml de
anticorpos neutralizantes são satisfatórios.
A avaliação sorológica deve
ser repetida semestralmente ou anualmente, de acordo com a intensidade e/ou
gravidade de risco ao qual está exposto o profissional. Pessoas com exposição
continuada, como pesquisadores, profissionais de laboratórios que manipulam o
vírus e veterinários que atuam em áreas de epizootia, devem ser avaliadas
semestralmente. Profissionais com menor risco de exposição, como os que só
trabalham nas campanhas anuais de vacinação contra a raiva, devem ser
avaliados anualmente. Uma dose de reforço deve ser aplicada, caso o título
seja inferior a 0,5 UI/ml, repetindo-se a avaliação sorológica. Ninguém deve
ser exposto conscientemente a riscos, sem a confirmação sorológica de
títulos iguais ou superiores a 0,5 UI/ml.
Tratamento profilático
pós-exposição:
A profilaxia pós-exposição
deve seguir a orientação exposta no Quadro 1 (Profilaxia da raiva humana).
Além disso, deve ser feita limpeza cuidadosa e vigorosa da região afetada com
água e sabão. Sempre que possível, deve-se evitar a sutura do ferimento. A
imunização ativa pode ser feita com vacinas do tipo Fuenzalida & Palácios
modificada ou com as vacinas produzidas em cultura celular ou em embrião de
pato.
A imunização passiva é feita
com imunoglobulina heteróloga produzida em eqüídeos hiperimunizados com
vírus rábico. A dose preconizada é de 40UI de soro anti-rábico por Kg de
peso do paciente, administrada de uma só vez. A imunoglobulina humana
anti-rábica (HRIG), produzida a partir de plasma de doadores previamente
imunizados, é uma alternativa ao soro anti-rábico. A dose preconizada é de 20
UI por quilo de peso.
A ação primária destes
produtos ocorre no local de inoculação do vírus. Os níveis de anticorpos
obtidos após a administração por via intramuscular não são adequados para
inativar os vírus nos locais do ferimento, por isso devem ser infiltrados no
local da lesão. Se a dose recomendada for insuficiente para infiltrar toda a
lesão, devem ser diluídos em soro fisiológico para aumentar o volume. Nos
casos em que houver impossibilidade anatômica para a infiltração de toda a
dose, a quantidade restante, a menor possível, deve ser aplicada por via
intramuscular, podendo ser utilizada a região glútea. A dose recomendada não
deve ser excedida porque pode interferir na resposta imunológica à vacina.
Pacientes que previamente receberam tratamento completo para prevenção da
raiva não devem receber nem o soro (SAR) nem a imunoglobulina humana
anti-rábica (HRIG).
No Brasil, devido aos custos
elevados da imunoglobulina humana anti-rábica, está disponível apenas para
situações especiais, ou seja intolerância comprovada ao soro produzido em
eqüídeos. Entre os eventos adversos causados pelo soro (SAR) devem ser citados
a reação de hipersensibilidade imediata (1:40.000 tratamentos) e a doença do
soro que tem incidência de 1 a 6,2% dos casos. Apesar da baixa incidência dos
efeitos colaterais, preconiza-se manter o paciente em observação, em ambiente
hospitalar, por pelo menos 2 horas após receber a medicação. O tratamento
anti-rábico não tem contra-indicação por doença intercorrente ou outro
tratamento.
Os esquemas de tratamento
profilático pós-exposição, quando indicados de acordo com o Quadro 1, são
os seguintes:
Esquemas com a vacina
Fuenzalida & Palácios modificada
a) 3 doses de vacina e
observação clínica do cão ou gato
-
aplicar nos dias 0, 2 e 4
-
via de administração:
IM, na região do deltóide; em crianças menores de 2 anos pode ser
administrada na região do músculo vasto lateral da coxa
-
dose: 1 ml, independente da
idade, sexo e do peso do paciente
b) vacinação: 7 + 2 (9doses)
-
aplicar 1 dose,
diariamente, em 7 dias consecutivos, e 2 doses de reforço, 10 e 20 dias
após a administração da 7ª dose
-
via de administração:
IM, na região do deltóide; em crianças menores de 2 anos pode ser
administrada na região do músculo vasto lateral da coxa
-
dose: 1 ml, independente da
idade, sexo e do peso do paciente
c) soro-vacinação: 10 + 3 (13
doses)
Vacina:
-
aplicar 1 dose, diariamente,
em 10 dias consecutivos, e 3 doses de reforço, 10, 20 e 30 dias após a
administração da 10ª dose
-
via de administração: IM,
na região do deltóide; em crianças menores de 2 anos pode ser administrada
na região do músculo vasto lateral da coxa
-
dose: 1 ml, independente da
idade, sexo e peso do paciente
Soro anti-rábico ou
imunoglobulina humana anti-rábica:
-
aplicar no primeiro dia de
tratamento (dia 0)
-
via de administração:
infiltrar no local da lesão; se a quantidade for insuficiente para
infiltrar toda a lesão, podem ser diluídos em soro fisiológico; se não
houver possibilidade anatômica para a infiltração de toda a dose, uma
parte, a menor possível, deve ser aplicada na região glútea
-
dose: Soro anti-rábico (SAR -
40 UI/kg de peso)
-
Imunoglobulina humana
anti-rábica (HRIG - 20 UI/kg de peso)
Esquemas com as vacinas
produzidas em cultura celular ou em embrião de pato
a) 3 doses de vacina e
observação do cão ou gato
-
aplicar nos dias 0, 3 e 7
-
via de administração:
IM, na região do deltóide; em crianças menores de 2 anos pode ser
administrada na região do vasto lateral da coxa
-
dose: 0,5 ou 1 ml,
dependendo do fabricante. A dose indicada pelo fabricante independe da idade
do paciente
b) vacinação (5 doses)
-
aplicar nos dias 0, 3, 7, 14 e
28
-
via de administração:
IM, na região do deltóide; em crianças menores de 2 anos pode ser
administrada na região do vasto lateral da coxa
-
dose: 0,5 ou 1 ml,
dependendo do fabricante. A dose indicada pelo fabricante independe da idade
e do peso do paciente
c) soro-vacinação
Vacina:
-
aplicar nos dias 0, 3, 7, 14 e
28
-
via de administração:
IM, na região do deltóide; em crianças menores de 2 anos pode ser
administrada na região do vasto lateral da coxa
-
dose: 0,5 ou 1 ml,
dependendo do fabricante. A dose indicada pelo fabricante independe da idade
e do peso do paciente
Soro anti-rábico ou
imunoglobulina humana anti-rábica:
-
aplicar no primeiro dia de
tratamento (dia 0)
-
via de administração:
infiltrar no local da lesão; se a quantidade for insuficiente para
infiltrar toda a lesão, podem ser diluídos em soro fisiológico; se não
houver possibilidade anatômica para a infiltração de toda a dose, uma
parte, a menor possível, deve ser aplicada na região glútea
-
dose: Soro anti-rábico (SAR -
40 UI/kg de peso)
-
Imunoglobulina humana
anti-rábica (HRIG - 20 UI/kg de peso)
Esquema de complementação do
tratamento – com vacinas de cultura celular ou embrião de pato – para os
casos em que é necessário interromper o esquema com a Fuenzalida &
Palácios modificada
Quando for necessário
suspender o uso da vacina Fuenzalida & Palácios modificada, devido às
reações adversas graves, o tratamento deve ter seqüência com vacinas
produzidas em cultura celular ou embrião de pato. O esquema de substituição
está indicado no quadro a seguir:
Quadro 2: Esquema de
complementação vacinal com vacinas de cultura celular ou embrião de pato,
para os casos em que é necessário interromper o esquema com a Fuenzalida &
Palácios modificada.
|
Doses
aplicadas de Fuenzalida & Palácios modificada |
Número de
doses de vacina de cultura celular ou embrião de pato a ser aplicada |
Dias de
administração |
|
Até 3
4-6
7-9
Antes do
1º reforço
Antes do
2º reforço
|
5
4
3
2
1
|
0, 3, 7, 14, 28
0, 4, 11, 25
0, 7, 21
Datas previstas para os
reforços com a Fuenzalida & Palácios modificada
Data prevista para o
2º reforço com a Fuenzalida & Palácios modificada
|
ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE O
TRATAMENTO PÓS-EXPOSIÇÃO
1-Lavar o ferimento com água e
sabão e desinfetar com álcool ou tintura de iodo.
2-A observação durante 10
dias é recomendada apenas para cães e gatos.
3-Sempre que possível,
interromper o uso simultâneo de corticosteróides, antimaláricos e
imunossupressores. No caso de impossibilidade, indicar a sorovacinação. O
tratamento não tem contra indicação durante a gravidez, nem com qualquer
outro tratamento. Nos casos de gravidez e imunodeprimidos, os pacientes
devem receber preferencialmente vacinas produzidas em cultura celular ou em
embrião de pato.
4-A ingestão de carne ou leite
de animal raivoso não requer tratamento anti-rábico.
5-O soro anti-rábico (SAR)
e/ou a imunoglobulina anti-rábica humana (HRIG) podem ser administrados a
qualquer momento, desde que antes da 7ª dose da vacina
Fuenzalida & Palácios modificada e antes da 3ª dose das
vacinas produzidas em cultura celular ou em embrião de pato.
6-Pacientes que receberam
previamente tratamento completo para prevenção da raiva não devem receber
nem SAR nem HRIG.
7-Proceder a profilaxia do
tétano e usar antibiótico, quando indicado.
8-Não indicar tratamento
para contato indireto através de materiais contaminados com secreções de
animais.
Tratamento de reexposição
Os quadros 3 e 4 apresentam
esquemas de tratamento profilático da raiva para pacientes reexpostos, que
previamente receberam as vacinas contra a raiva para tratamento
pós-exposição.
Quadro 3: Conduta para
pacientes que receberam vacina Fuenzalida & Palácios modificada para
tratamento pós-exposição, em caso de reexposição, considerando-se o número
de doses recebidas e o tempo decorrido entre o término do tratamento anterior e
a nova exposição.
|
Tempo
decorrido |
Esquema
anterior |
Conduta
com a vacina Fuenzalida & Palácios modificada |
Conduta
com vacinas de cultivo celular ou embrião de pato |
|
Há menos de 15 dias |
Completo |
Não indicar vacinação |
Não indicar vacinação |
|
Demais situações |
Indicar doses faltantes |
Indicar doses faltantes
de acordo com o quadro 2 |
|
De 15 a 90 dias |
Completo |
Não indicar vacinação |
Não indicar vacinação |
|
Pelo menos 5 doses em
dias consecutivos ou 3 em dias alternados |
Indicar doses faltantes |
Indicar doses faltantes
de acordo com o quadro 2 |
|
Demais situações |
Esquema pós-exposição |
Esquema pós-exposição |
|
Após 90 dias |
Completo |
Indicar 3 doses da vacina
com 2 ou 3 dias de intervalo |
Indicar duas doses da
vacina nos dias 0 e 3 |
|
Demais situações |
Esquema pós-exposição |
Esquema pós-exposição |
Quadro 4 – Conduta para
pacientes que previamente receberam vacinas produzida em cultivo celular ou
embrião de pato para tratamento pós-exposição, em caso de reexposição,
considerando-se o número de doses recebidas e o tempo decorrido entre o
término do tratamento anterior e a nova exposição.
|
Tempo
decorrido |
Esquema
anterior |
Conduta:vacina
de cultivo celular ou embrião de pato |
|
Há menos de 15 dias |
Completo |
Não indicar vacinação |
|
Incompleto |
Indicar doses faltantes |
|
Entre 15 e 90 dias |
Completo |
Não indicar vacinação |
|
Incompleto: 1 ou 2 doses
3 ou 4 doses |
Indicar 4 doses, nos dias
0, 3, 7, 28
Indicar 2 doses, nos dias
0 e 3 |
|
Após 90 dias |
Completo |
Indicar 2 doses, nos dias
0 e 3 |
|
Incompleto |
Esquema de
pós-exposição |
Para os pacientes com
tratamentos prévios e que sofrem reexposição freqüente, é desejável a
avaliação sorológica concomitantemente com o início do tratamento. Se o
título de anticorpos for igual ou superior a 0,5 UI/ml, o tratamento pode ser
interrompido.
Tratamento profilático
pós-exposição de pacientes que receberam esquema pré-exposição
De acordo com o que já foi
exposto, o tratamento profilático pré-exposição, com vacinas e avaliação
sorológica a partir do 10º dia do término do esquema, está
indicado para pessoas de alto risco de exposição ao vírus da raiva. Somente
após a comprovação de título igual ou superior a 0,5 UI/ml estas podem ser
expostas às situações de risco.