As vacinas da poliomielite são
de dois tipos a saber: vacina com vírus inativados e vacina com vírus vivos
atenuados.
A vacina produzida com vírus
inativados contém três tipos de poliovírus: tipo 1 (Mahoney), tipo 2 (MEF-1)
e tipo 3 (Saukett). Estes são cultivados em células Vero (células de rim de
macaco verde africano) e a seguir concentrados, purificados e inativados com
formaldeído. Contém traços de neomicina, estreptomicina e polimixina B,
devendo ser conservada em geladeira entre +2 e +8ºC. A aplicação é feita
pela via intramuscular ou subcutânea na dose de 0,5 ml para cada indivíduo.
Crianças com até 2 anos de idade devem receber a vacina na região glútea ou
na região ântero-lateral superior da coxa. Acima desta idade a vacina deve ser
aplicada na região deltóide. A posologia é de 2 a 3 doses com intervalo de um
mês entre elas. Os reforços devem ser feitos um ano após as primeiras doses e
repetidos a cada 10 anos. Está indicada para todas as crianças acima de 6
semanas de idade, adultos viajantes para áreas endêmicas e especialmente para
as crianças imunodeprimidas por doenças congênitas ou adquiridas. As
contra-indicações são as gerais das vacinas, e em especial aos alérgicos à
neomicina, estreptomicina e polimixina B.
A vacina inativada induz a
produção de anticorpos da classe IgG de maneira satisfatória, mas quase não
dá origem a formação de IgA secretora, ao contrário da vacina oral. Nesse
caso não há propagação do vírus vacinal na comunidade, não ocorrendo casos
de pólio paralítica por reversão do vírus vacinal selvagem. Encontra-se
atualmente disponível comercialmente em preparados associados à vacina
tríplice bacteriana (DPT), o que possibilita sua aplicação sem ônus
operacional.
Esta vacina também é
denominada tipo Salk em homenagem a Jonas Salk, seu desenvolvedor.
A vacina produzida com vírus
vivos atenuados, também denominada Sabin, em homenagem a Albert Sabin – seu
desenvolvedor, é do tipo trivalente
É a vacina utilizada no
Brasil, produzida a partir de três cepas de vírus denominados 1, 2 e 3. É
constituída de 106 unidades de vírus do tipo 1, 105 do
tipo 2 e 600.000 do tipo 3, por dose. É de utilização oral e a vacinação
básica consiste na aplicação de três doses, a partir dos dois meses de
idade, com intervalo de dois meses entre as doses. O primeiro reforço é
realizado 12 meses após a vacinação básica e o segundo 18 meses após o
primeiro reforço. Devido aos riscos descritos de interferência na vacinação
oral, principalmente em países tropicais e subtropicais, alguns autores sugerem
a realização de um reforço anual até os sete anos, o que pode ser feito
através das campanhas nacionais de imunização. Não há contra-indicação na
aplicação concomitante da vacina antipólio com a vacina tríplice bacteriana, ou
com a vacina do sarampo.
A vacina não deve ser
administrada a crianças com vômitos, diarréia ou processos febris de origem
indeterminada. Pode ser aplicada a qualquer hora do dia, sem relação com
alimentação.
Em raríssimas
circunstâncias a administração desta vacina tem sido associada
à ocorrência de paralisia em
vacinados sadios ou em seus contatos. A poliomielite aguda associada à vacina
oral é doença aguda febril, que causa um déficit motor flácido de
intensidade variável, geralmente assimétrico. O tempo decorrente entre a
aplicação e o evento é de 4 a 40 dias para o vacinado e de 4 a 85 dias para o
comunicante de vacinado.
As cepas virais mais implicadas
neste fenômeno são as do tipo 2 (causa paralisia nos comunicantes) e a do tipo
3 que causa paralisia nos vacinados. O risco é de menos de um caso para um
milhão de vacinados. A conduta médica nestes casos é o tratamento de suporte,
continuar o esquema vacinal com a vacina inativada e notificar a autoridade
sanitária. Os exames subsidiários sugeridos são a coleta de duas amostras de
fezes nos primeiros 15 dias, com um intervalo de 24 horas entre as coletas.
Além disso, realizar a eletroneuromiografia para avaliar-se a extensão das
lesões.
Em 1994 o Brasil recebeu o Certificado
Internacional de Erradicação da Transmissão Autóctone do Poliovírus
Selvagem cujo último caso foi registrado em 1989.