Vacina contra tuberculose (BCG)

 

 

Evolução da vacina contra tuberculose

 

A vacina contra tuberculose, denominada BCG, é produzida a partir de cepas atenuadas do Mycobacterium bovis. A produção no Brasil é na forma liofilizada, devendo ser mantida em geladeira, entre +2 e +8ºC, e ao abrigo da luz solar direta, pois é inativada pelos raios solares.

A reconstituição de cada frasco com 50 doses deve ser feita com 5 ml de solução fisiológica, de maneira delicada e cuidadosa e sem agitação. Após a reconstituição, a vacina deve ser usada no mesmo dia (até 6 horas), podendo ser aplicada no mesmo ambiente onde se aplica as demais vacinas, pois a luz artificial não lhe causa danos.

As crianças podem e devem ser vacinadas a partir do nascimento, de preferência no berçário, por via intradérmica, no braço direito, na altura da inserção inferior do músculo deltóide, sem o emprego prévio de anti-sépticos e com seringa e agulha apropriadas e descartáveis. Quando o local da aplicação estiver sujo, deve-se lavar com água e sabão.

 

A dose preconizada para todas as idades é de 0,1 ml de uma só vez, sendo a população prioritária os menores de um ano de idade. Havendo condições operacionais, indica-se a realização da reação de Mantoux (PPD) prévia, em crianças com mais de três meses. Sendo negativa, aplicamos o BCG intradérmico.

 

O BCG bem aplicado leva à viragem do PPD em cerca de 75% a 80% dos casos e isto pode ser confirmado realizando-se a reação de Mantoux após seis meses da aplicação do BCG. Nos casos que se mostram negativos, o reforço deve ser realizado apenas se a primeira aplicação foi tecnicamente incorreta, ou se não houve reação no local da aplicação.

 

O Ministério da Saúde indica o reforço da vacina BCG. Por haver controvérsia em relação a essa conduta, a Secretaria da Saúde decidiu, por ora, não adotá-la no calendário vacinal do Estado de São Paulo. No entanto, em municípios selecionados a partir de critérios epidemiológicos e operacionais, analisados conjuntamente pelas Secretarias Estadual e Municipal de Saúde, esse reforço poderá ser aplicado entre 6 e 10 anos, preferencialmente entre 12 e 14 anos de idade.

 

Após a aplicação da vacina, os sintomas mais freqüentes são o aparecimento de nódulo no local da aplicação, que evolui para úlcera e crosta, com duração média de oito a 10 semanas. Nos casos de aplicação profunda, dose maior ou resposta imune exagerada, a cicatrização pode ser retardada. As complicações são bastante raras, porém podem ocorrer linfadenites simples ou supuradas, úlceras necróticas, abscessos locais ou à distância, erupção maculosa, reação lupóide, eritema nodoso e polimorfo, lúpus vulgar e osteíte de localizações diversas.

 

Em casos selecionados e quando há necessidade, deve-se fazer uso da ionizada, na dose de 10 mg/kg de peso/dia durante seis meses, para o tratamento das complicações vacinais.

 

A infecção disseminada pelo BCG, envolvendo múltiplos órgãos, levando o doente ao óbito, é muito rara, porém este fenômeno ocorre em indivíduos que fazem uso prolongado de corticosteróides, imunossupressores, em portadores de doenças crônicas debilitantes ou que apresentam deficiências congênitas do sistema imune. Nestes casos a aplicação do BCG está contra-indicada.

 

Também não deve ser aplicado em crianças com peso inferior a 2.000 g e com afecções dermatológicas extensas e em atividade. Como não há dados disponíveis sobre os efeitos do BCG em adultos infectados pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV), sintomáticos ou não, a vacinação não deve ser recomendada para esses casos.

 

A aplicação precoce do BCG visa reduzir a incidência da tuberculose, especialmente as formas graves da doença, tais como a tuberculose meníngea e a tuberculose miliar, que aparecem com maior freqüência até os quarto anos de idade.

 

Clique nos endereços abaixo para conhecer a proposta de vacinação do Ministério da Saúde dentro do Programa Nacional de Imunizações.

 

Calendário básico de vacinação da criança

Calendário de vacinação do adolescente

Calendário de vacinação do adulto e do idoso

 

Veja mais: clique aqui para conhecer a Fundação Ataulpho de Paiva