Soro antiescorpiônico

 

O soro antiescorpiônico é uma solução injetável de imunoglobulinas específicas, purificadas e concentradas, obtidas de soros de eqüinos hiperimunizados com venenos de escorpiões do gênero Tityus.

 

Fórmula:

Uma ampola de 5 ml contém iImunoglobulinas de origem eqüina que neutralizam, no mínimo 7,5 DMM (doses mínimas mortais) de veneno de Tityus serrulatus.

 

Indicações:

Para o tratamento dos envenenamentos provocados por picadas de escorpião do gênero Tityus. A sua utilização se impõe, mesmo quando são esperadas reações adversas, com os cuidados recomendados para tais eventualidades.

 

Nota:

NÃO É INDICADO nos acidentes causados por serpentes ou aranhas.

 

Caracterização dos acidentes:

A dor local está presente na maioria dos casos. Ocorre imediatamente após o acidente, podendo ser de intensidade variável, sob a forma de ardor, queimação ou agulhada e ainda irradiar-se para todo o membro. Pode haver edema, eritema, sudorese e piloereção. Após alguns minutos e nas primeiras horas, podem surgir as manifestações decorrentes do envenenamento sistêmico: salivação excessiva, sudorese, náuseas, vômitos, agitação, tremores, taquicardia, hipertensão ou hipotensão arterial, taquipnéia, choque, colapso cárdio-circulatório e edema agudo de pulmão.

 

Tratamento:

O tratamento soroterápico é indicado naqueles pacientes que apresentem, além do quadro local, manifestações de envenenamento sistêmico. Nesta situação, aplicar o soro específico em doses adequadas o mais precocemente possível.

 

Manifestações clínicas, doses, via de administração:

Quadro clínico LEVE:

Somente quadro local (dor em 100% dos casos).

Ocasionalmente, náuseas, taquicardia e agitação.

Combate à dor; (Bloqueio anestésico local ou troncular);

Observação clínica por 6 - 12h principalmente crianças abaixo de 7 anos.

*Dispensa-se a soroterapia.

 

Quadro clínico MODERADO:

Manifestações locais e alguma sintomatologia sistêmica como agitação, sonolência, sudorese, náuseas, vômito, hipertensão, taquicardia e taquipnéia.

Combate à dor; (Bloqueio anestésico local ou troncular);

Observação clínica por 12 - 24h.

2-4 ampolas de soro pela via intravenosa (IV).

 

Quadro clínico GRAVE:

Manifestações locais, náuseas freqüentes e vômitos profusos, lacrimejamento, sialorréia, sudorese profusa, agitação, taquicardia, hipertensão arterial, tremores, espasmos musculares.

Em casos mais graves: bradicardia, bradpnéia edema agudo de pulmão, colapso cardio-circulatório, coma e óbito.

Combate à dor; (Bloqueio anestésico local ou troncular);

Internação hospitalar, cuidados intensivos; Monitoração das funções vitais.

5-10 ampolas de soro pela via intravenosa (IV).

 

Observações:

A soroterapia deve ser efetuada sob supervisão médica.

Na impossibilidade, após o tratamento de emergência, específico ou não, o paciente deve ser encaminhado ao serviço de saúde mais próximo.

Adultos e crianças recebem a mesma dose de soro.

 

Recomendações gerais:

Não utilizar garrotes ou torniquetes;

Não fazer incisões no local da picada;

Não aplicar querosene, amoníaco, e outras substâncias no local da picada;

Não administrar bebidas alcoólicas;

Manter o paciente em repouso, evitando caminhar;

Manter o paciente hidratado.

 

Reações adversas à soroterapia:

Reação precoces:

São de freqüência variável e ocorrem dentro das primeiras 24 horas após a administração do soro. São de caráter anafilático ou anafilactóide, podem ser graves e necessitam de cuidados médicos adequados e imediatos. Estas reações ocorrem com maior freqüência entre pacientes anteriormente tratados com soro de origem eqüina.

 

Prevenção:

Solicitar informações do paciente quanto ao uso anterior de soro eqüino (anti-rábico, antitetânico, antiofídico) e quanto a problemas alérgicos de naturezas diversas. Face a afirmações positivas, considerar o potencial de reações adversas para esse paciente.

 

Administrar anti-histamínico com 15 minutos de antecedência da dose de soro recomendada.

 

O teste de sensibilidade tem sido abandonado da rotina no tratamento de acidentes por animais peçonhentos, pois não tem se mostrado eficiente para prever a ocorrência de reações, retarda a soroterapia além de poder desencadear por si mesmo, reações alérgicas.

 

Tratamento:

Na ocorrência de reações, interromper a soroterapia e iniciar o tratamento conforme a intensidade. No caso de urticária generalizada, crise asmatiforme, edema de glote ou choque, deve-se proceder à administração imediata de ADRENALINA aquosa 1:1000, via subcutânea ou intramuscular, na dose de 0,3 a 0,5 ml em adultos e 0,01 ml/kg em crianças, podendo ser repetida a cada 5 ou 10 minutos, conforme a necessidade.

 

Na presença de crise asmatiforme, recomenda-se ainda a utilização de broncodilatadores inalatórios ou aminofilina por via parenteral. Os corticosteróides e anti-histamínicos exercem papel secundário no controle dessas reações, podendo também ser utilizados. Após a remissão do quadro de hipersensibilidade, reinstituir a soroterapia conforme a dose recomendada inicialmente.

 

Reações tardias:

São, em geral, benignas e ocorrem entre 5 e 24 dias após a administração do soro. Caracterizam-se por: febre, urticária, dores articulares, aumento dos gânglios e, muito raramente, comprometimento neurológico ou renal. Esta reação é também conhecida pelo nome de "Doença do Soro" e é tratada de acordo com a intensidade, através da administração de corticosteróides, analgésicos ou anti-histamínicos.

 

Apresentação e conservação:

O produto apresenta-se em ampolas de 5 ml e deve ser conservado em geladeira entre 4 e 8ºC.

 

NÃO CONGELAR

 

O prazo de validade do lote está indicado na embalagem.

 

Produzido por:

Instituto Butantan

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