VACINA  CONTRA  FEBRE  AMARELA

 

 

1-Introdução

 

É vacina altamente imunogênica (confere imunidade em 95 a 99% dos vacinados), bem tolerada e raramente associada com eventos adversos graves.

 

2-Composição

 

A vacina contra a febre amarela é constituída de vírus vivos atenuados, derivados da linhagem 17D, cultivados em ovos embrionados de galinha.

No Brasil, utiliza-se a vacina produzida na Fundação Oswaldo Cruz – Bio Manguinhos, que contém, além da linhagem vacinal atenuada, sacarose e glutamato como estabilizadores.

 

3-Eventos adversos

 

3.1. Manifestações locais

 

A vacina contra a febre amarela é administrada pela via subcutânea e a manifestação mais freqüentemente referida é a dor no local de aplicação, de curta duração e auto-limitada. A ocorrência de abscessos está muitas vezes relacionada com infecção secundária ou com erros na técnica de manuseio ou aplicação da vacina.

 

3.1.1. Notificação e investigação

 

Notificar e investigar os casos com abscessos ou outras reações locais muito intensas (edema e/ou vermelhidão extensos, limitação de movimentos acentuados e duradoura); notificar também o aumento exagerado de determinada(s) reação(ões) locais, associada (s) eventualmente a erros de técnica ou a lote vacinal (“surtos”).

 

3.1.2. Conduta

 

a)-Tratamento sintomático ou segundo indicação do caso.

b)-Não há contra-indicação para doses subseqüentes.

 

3.2. Manifestações sistêmicas

 

3.2.1. Manifestações gerais

 

2 a 5% das pessoas vacinadas apresentam, depois do 6º dia da aplicação da vacina, febre, mialgia e cefaléia, com duração de um a dois dias.

 

3.2.1.1. Notificação e investigação

 

Estes eventos devem ser notificados e investigados se detectados acima do percentual esperado (“surto”).

 

3.2.1.2. Conduta

 

a)-Medicamentos sintomáticos e observação.

b)-Não há contra-indicação para doses subseqüentes.

 

3.2.2. Reações de hipersensibilidade

 

Foram relatados raros casos de erupção cutânea, urticária, e/ou asma, surgindo imediatamente após a aplicação da vacina contra a febre amarela, cuja incidência é de aproximadamente 1 caso para 1.000.000 de doses aplicadas, ocorrendo geralmente em pessoas com história de alergia a proteína do ovo.

 

A vacina contra a febre amarela é cultivada em ovos embrionados de galinha e o seu uso está contra-indicado em pessoas com história de reação anafilática (reação de hipersensibilidade imediata), que ocorre habitualmente na primeira hora após a exposição ao alérgeno (ingestão de ovo), constituída de uma ou mais das seguintes manifestações: urticária, sibilos, laringoespasmo, edema de lábios, hipotensão e, eventualmente, choque.

 

3.2.2.1. Notificação e investigação

 

Notificar e investigar todos os casos.

 

3.2.2.2. Conduta

 

a)-Tratamento sintomático (Ver Anexo 1).

b)-Há contra-indicação para doses subseqüentes.

 

3.2.3. Encefalite

 

Com a utilização da linhagem 17D nos Estados Unidos, onde mais de 34 milhões de pessoas já foram vacinadas, houve somente dois casos de encefalite associados à vacina contra a febre amarela. No Brasil, onde se preconiza a vacinação a partir de seis meses de idade, não houve relato de casos de encefalite.

 

3.2.3.1. Notificação e investigação

 

Notificar e investigar todos os casos.

 

3.2.3.2. Conduta

 

a)-Tratamento especializado da meningoencefalite.

b)-A investigação clínica e laboratorial nesses casos é imperiosa e fundamental, tentando-se afastar outros diagnósticos.

c)-Há contra-indicação para doses subseqüentes.

 

QUADRO 9.1  EVENTOS ADVERSOS PÓS VACINA CONTRA A FEBRE AMARELA

 

EVENTO ADVERSO

DESCRIÇÃO

TEMPO DECORRENTE APLICAÇÃO / EVENTO

 

FREQÜÊNCIA

CONDUTA

EXAME

-Local (dor, abscesso)

 

-Ver Anexo 2

1º dia

-Ver Anexo 2

-Febre, mialgia, cefaléia

 

-ÍDEM

6 dias

1/20 doses

-ÍDEM

-Reação anafilática

-ÍDEM

-Nos primeiros 30 minutos até 2 horas

1/1.000.000 doses

-Geralmente em pessoas com alergia a proteína do ovo de galinha

 

-Notificar e investigar.

-Contra-indica doses subseqüentes

-V. Anexo 2

 

 

 

Encefalite

-ÍDEM

 

 

 

1/17.000.000 (USA)

-No Brasil não há relato.

-Notificar e investigar.

-Contra-indica doses subseqüentes.

-Tratamento de encefalite.

-Investigação clínica e laboratorial, tentando-se afastar outros diagnósticos.