VACINA  CONTRA  HEPATITE  B

 

 

1-Introdução

 

As vacinas disponíveis no Brasil são produzidas por tecnologia DNA recombinante e vêm apresentando altos índices de segurança. Uma série de 3 doses é necessária para boa resposta de anticorpos; ela induz uma resposta adequada de anticorpos em mais de 90% dos adultos saudáveis e mais de 95 dos lactentes, crianças e adolescentes.

 

2-Composição

 

Contém o antígeno de superfície do vírus da hepatite B (HBsAG) purificado, modernamente obtido por engenharia genética, tendo o hidróxido de alumínio como adjuvante e timerosal como preservativo.

 

3-Eventos adversos

 

3.1. Manifestações locais

 

Abscessos locais, dor (3-29%) e enduração (8%) no local da injeção.

 

3.1.1. Notificação e investigação

 

Notificar e investigar os casos com abscessos ou outras reações locais muito intensas (edema e/ou vermelhidão extensos, limitação de movimentos acentuada e duradoura); notificar também o aumento exagerado de determinada(s) reação (ões) locais, associada (s) eventualmente a erros de técnica ou a lote vacinal (“surtos”).

 

3.1.2. Conduta

 

a)-Tratamento sintomático.

b)-Compressas frias ou quentes: é prática comum em nosso país a aplicação local de compressas frias ou quentes, para alívio da dor e/ou da inflamação, embora a eficácia dessa conduta não tenha sido validada em estudos controlados, seu emprego não é contra-indicado.

 

Observação: o Programa Nacional de Imunizações, em seu Manual de Capacitação de Pessoal da Sala de Vacinação vem recomendando apenas o uso de compressas frias para tratamento de eventos locais.

 

Os abscessos devem ser submetidos a avaliação médica, para conduta apropriada.

 

Não há contra-indicação para administração de doses subseqüentes.

 

3.2. Manifestações sistêmicas

 

3.2.1. Febre

 

Febre (1-6%) nas primeiras 48-72 horas após a vacinação, geralmente é bem tolerada e auto-limitada.

 

3.2.1.1. Notificação e investigação

 

Desnecessárias.

 

3.2.1.2. Conduta

 

a)-Tratamento sintomático.

b)-Avaliação do caso para afastar outros diagnósticos diferenciais.

c)-Não há contra-indicação para doses subseqüentes.

 

3.2.2. Reações de hipersensibilidade

 

Excepcionalmente podem ocorrer manifestações de hipersensibilidade a algum dos componentes da vacina.

A anafilaxia é imediata (reação de hipersensibilidade do tipo I Gell & Coombs), e ocorre habitualmente na primeira hora após a exposição ao alérgeno. Apresenta-se com uma ou mais das seguintes manifestações: urticária, sibilos, laringoespasmo, edema dos lábios, hipotensão e choque.

 

3.2.2.1. Notificação e investigação

 

Notificar e investigar todos os casos.

 

3.2.2.2. Conduta

 

a)-Tratamento adequado da reação anafilática (Ver Anexo 1).

b)-Há contra-indicação para doses subseqüentes.

 

3.2.3. Outras manifestações

 

Outros achados são mal-estar, cefaléia, astenia, mialgia e artralgia, habitualmente de pequena intensidade. Refere-se aumento ocasional e transitório das transaminases séricas.

 

3.2.3.1. Notificação e investigação

 

Desnecessárias.

 

3.2.3.2. Conduta

 

a)-Tratamento sintomático

b)-Não contra-indicam doses subseqüentes.

 

QUADRO 8.1   EVENTOS ADVERSOS PÓS VACINA CONTRA A HEPATITE B

 

EVENTO ADVERSO

DESCRIÇÃO

TEMPO DECORRENTE APLICAÇÃO / EVENTO

 

FREQÜÊNCIA

CONDUTA

EXAME

-Dor

-Ver Anexo 2

1° Dia

1/3,5 a 1/33,3 doses

-Notificar e investigar reações muito intensas ou “surtos”.

-Ver Anexo 1

 

 

 

-Enduração

-ÍDEM

-ÍDEM

1/12,5 doses

 

-ÍDEM

-Febre

-ÍDEM

-ÍDEM

1/16,9 a 1/100 doses

-ÍDEM

 

 

-Mal estar, cefaléia, astenia, mialgia, artralgia

 

-ÍDEM

-ÍDEM

 

 

-Não é necessário notificar e investigar.

-Tratamento sintomático.

-Não contra-indica doses subseqüentes.

-Clínico, para descartar intercorrência infecciosa

-Reação anafilática

-ÍDEM

-Nos primeiros 30 minutos até 2 horas

1/600.000

-Notificar e investigar.

-Contra-indica doses subseqüentes.

-Ver Anexo 1.